Vinho de Pias há só um. O resto é (quase só) vinho espanhol!

Os supermercados estão cheios de embalagens de vinho com Pias no nome. Já houve alguém que contou e investigou os registos e chegou à conclusão que haverá mais de 150 marcas. Há Pias de tudo e mais um par de botas, Fonte de Pias, Castelo de Pias, Amigos de Pias, Ermida de Pias, Lagar de Pias, Só Pias, etc, etc. Crio que só uma meia dúzia será vinho português e nenhum de Pias! E pena o desconhecimento das pessoas, porque basta olhar para a lateral do bag-in-box ou para o contra-rótulo da garrafa para perceber que lá está a menção “Vinho da UE”. Isto é, vinho espanhol de baixa categoria. Os engarrafadores não fazem trafulhice. Está lá bem expressa menção vinho da UE. As pessoas são enganadas porque querem .

Mas não há vinho em Pias? Claro que sim. Há um excelente produtor, Vinhos Margaça – Sociedade Agrícola de Pias. O único que produz genuíno vinho de Pias, a terra alentejana!

A Sociedade Agrícola de Pias foi fundada, em 1973, por José Veiga Margaça, um empreendedor de Torres Vedras que encontrou nesta pequena freguesia o potencial para se instalar e produzir vinhos originais e de grande qualidade. A sua paixão pela terra e o profundo conhecimento e respeito pelo Alentejo, permitiram-lhe desbravar, durante décadas, novas formas de produção e criar vinhos que honrassem o terroir único de Pias. Nas suas herdades, estendidas entre Serpa e Moura, no extremo oriental do Alentejo, num total de 800 hectares, iniciou um intensivo processo de restruturação das vinhas, organizando-as em parcelas e por castas, renovou a adega oferecendo-lhe o melhor da tecnologia e rodeou-se de gentes da terra, a quem gerou emprego e riqueza.
Durante décadas reforçou o seu portefólio, ganhou prémios e criou toda a logística de distribuição, transformando a Sociedade Agrícola de Pias, hoje conhecida como Vinhos Margaça, numa empresa autónoma e vários dos seus vinhos em referências do mercado português. Actualmente é o maior produtor de Pias, em termos de área e de produção de vinho.
O legado de José Veiga Margaça continua hoje nas mãos da família.

Durante anos, como acontecia com a maior parte dos produtores o vinho era vendido a granel e foi um acaso que levou a empresa a engarrafar o seu primeiro vinho, o Encostas do Enxoé, que surgiu em 1988: um tonel de uma vindima de dois anos antes não pareceu estar nas melhores condições e foi deixado para trás. Provado mais tarde o vinho tinha evoluído, estava excelente assim nasceu o primeiro vinho engarrafado da empresa.

Com uma história longa e atribulada, que inclui a ocupação de terras na sequência do Prec, em 1975, a Família Margaça assistiu impotente ao aparecimento dos tais vinhos com Pias no nome e que de Pias não têm nada…

Actualmente a família Margaça detém um conjunto de propriedades que somam 700 hectares, dos quais 138 são dedicados exclusivamente à plantação de vinha, 70 a amendoal e 160 a olival.

A viticultura dos vinhos Margaça está entregue a João Torres e Renato Neves (também enólogo) que, além da preocupação com a vinha que ocupa 138 hectares da mancha de 700 hectares detidos pela família Margaça, procuram estimular os ecossistemas envolventes, vegetais e animais, com a missão de promover e preservar a rica biodiversidade da propriedade e diminuir acentuadamente o uso de pesticidas. Em termos práticos, são seguidas e implementadas as orientações do Plano de Sustentabilidade do Alentejo da CVRA que incluem, entre outras, a integração e harmonização dos recursos naturais existentes, da energia solar, de condições climatéricas apropriadas, água limpa e de boa qualidade, e de solos saudáveis; a adopção de boas práticas na adega e optimização dos processos; a protecção da fauna e flora e, por conseguinte, da própria riqueza natural do Alentejo.

Luís Margaça, 34 anos é o atual gestor da Sociedade Agrícola de Pias. Licenciado em Gestão de Empresas pelo ISCTE, aproveitou o último ano do curso (2008) para participar num Programa Intercâmbio com a China, no âmbito de um protocolo assinado com a Universidade de Sun-Yat Sem, província de Guangzhou, Guangdong. Após concluir os estudos, início o seu trabalho na empresa do seu avô José Veiga Margaça, onde desempenhou inicialmente funções administrativas de escritório. Em 2009 fez um ano de trabalho de Adega, como ajudante de adegueiro, realizando todas as tarefas necessárias. No ano seguinte, desafiado por Fernanda Margaça, sua mãe, iniciou todo o processo de contactos de exportação e dossier processual de trâmites necessários para a realização de vendas internacionais para Europa, Ásia e Brasil.
Em 2011 passou igualmente a lidar com todos os trâmites necessários ao bom funcionamento da empresa, juntamente com Aida Pires, directora comercial e administrativa, “braço direito” de Fernanda Margaça, que havia iniciado funções na empresa em 2008.
Actualmente lidera uma equipa multidisciplinar, responsável por um intensivo projecto de reorganização da empresa e de reposicionamento no mercado. Em destaque estão Bruno Sousa, que assume a pasta da gestão financeira, e Renato Neves, que detém a tutela da viticultura e enologia.

Este ano assistiu-se rebranding e reposicionamento da marca PIAS, e ao lançamento da nova gama Família Margaça, direccionada para o segmento premium, ambos os projectos assinados pelo Atelier Rita Rivotti.