Aveleda lança cinco novidades

No ano em que celebra 150 anos de existência, o produtor da Região dos Vinhos Verdes lança duas novas sub-gamas – Solos e Parcelas – e altera a designação do Quinta da Aveleda para Aveleda Loureiro & Alvarinho, vinho que se junta ao Aveleda Loureiro e ao Aveleda Alvarinho na gama Castas.

O Aveleda Loureiro & Alvarinho 2019 revela a exuberância floral do Loureiro e o corpo aveludado da casta Alvarinho. As duas castas icónicas da Região dos Vinhos Verdes produzem vinhos que colocam em evidência a pureza das uvas e que convidam o consumidor a explorar os aromas autênticos do Vinho Verde.

Na recentemente criada gama Solos, a Aveleda lança dois vinhos: os Solos de Xisto e os Solos de Granito. Num convite para descobrir a riqueza geológica da Região dos Vinhos Verdes, onde 90% dos solos são de granito, esta gama explora as raras variedades de xisto existentes na região e a forma como os diferentes solos se reflectem nos vinhos.

O Xisto é uma rocha mais fácil de quebrar, pelo que a superfície radicular da planta consegue ser mais profunda. A retenção de água é maior neste tipo de solos, acabando por criar vinhos com mais volume de boca e mais untuosos. O Aveleda Solos de Xisto Alvarinho 2018 revela aromas de toranja madura, manga, abacaxi e flores brancas.

O Aveleda Solos de Granito Alvarinho 2018 é um vinho mais mineral, direto e fresco. Este perfil de vinho é derivado do facto do índice de retenção de água dos solos graníticos ser muito baixo e destes terem um pH baixo.

Na gama Parcelas, o terroir é o protagonista. Em cada ano de vindima, a Aveleda seleccionará a melhor, ou as melhores parcelas de todas as quintas que possui na Região dos Vinhos Verdes. Nesta gama, que pretende mostrar a unicidade de um determinado terroir, a Aveleda lança agora dois vinhos: o Aveleda Parcela do Convento e o Aveleda Parcela do Roseiral.

O Aveleda Parcela do Convento Loureiro 2018 tem como base um solo granítico, permitindo que a casta Loureiro, altamente aromática, atinja um nível de concentração e volume de boca sem igual. Maracujá, toranja e casca de lima são apenas alguns dos aromas detetáveis no paladar. Com um excelente equilíbrio entre fruta, mineralidade e acidez, este vinho toma conta dos sentidos. O Aveleda Parcela do Roseiral Alvarinho 2018 é oriundo de um antigo roseiral cujo terroir é perfeito para esta casta, devido à sua frescura e fertilidade. Revela aromas discretos a flores brancas, frutos cítricos e tropicais. Este vinho é muito delicado e suave, extremamente equilibrado com excelente acidez e equilíbrio entre fruta e mineralidade.

Os preços de recomendados são (euros):

Aveleda Loureiro & Alvarinho 2019 – 5,49€
Aveleda Parcela do Convento Loureiro 2018 -19,99€
Aveleda Solos de Granito Alvarinho 2018 – 9,99€
Aveleda Parcela do Convento Loureiro 2018 -19,99€



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Aveleda Parcela do Roseiral Alvarinho 2018 -19,99€
 


Na Herdade Grande a família Lança espera por si

Pertinho da Vidigueira a Herdade Grande promete~lhe um dia bem passado com passeio pelas vinhas, visita à adega, prova de vinhos em harmonização com a gastronomia regional, ou um almoço à mesa com a família Lança. No limite um pic-nic ao fim da tarde tendo por cenário as vinhas e os montados desta propriedade onde a família Lança recentemente comemorou um século de produção de vinhos. Para assinalar esta data foram lançadas edições limitadas dos Amphoras e do Sousão .

Todo este programa está desenhado tendo em atenção as novas necessidades impostas pela pandemia, com a certificação Clean&Safe do Turismo de Portugal. As experiências são adaptadas a cada visita e possíveis, até, aos sábados e domingos, mediante marcação prévia através do email geral@herdadegrande.com ou dos telefones 284 441 712 / 913 081 958 / 916 603 166.

Sobre este programa de enoturismo Mariana Lança, diretora geral e quarta geração da Herdade Grande, afimou “Estamos numa época de regresso às experiências mais genuínas e a Herdade Grande é um campo de possibilidades para isso mesmo. Queremos simplesmente partilhar o melhor que esta terra da Vidigueira nos dá, desde os vinhos e gastronomia, à incrível paisagem e ao Sol alentejano, sempre num ambiente familiar, com grande segurança e tranquilidade. Continuamos uma empresa familiar, um pouco como quando o meu bisavô aqui se estabeleceu, em 1920 e, no fundo, as experiências que oferecemos são a extensão disso mesmo”.


Vinho de Pias há só um. O resto é (quase só) vinho espanhol!

Os supermercados estão cheios de embalagens de vinho com Pias no nome. Já houve alguém que contou e investigou os registos e chegou à conclusão que haverá mais de 150 marcas. Há Pias de tudo e mais um par de botas, Fonte de Pias, Castelo de Pias, Amigos de Pias, Ermida de Pias, Lagar de Pias, Só Pias, etc, etc. Crio que só uma meia dúzia será vinho português e nenhum de Pias! E pena o desconhecimento das pessoas, porque basta olhar para a lateral do bag-in-box ou para o contra-rótulo da garrafa para perceber que lá está a menção “Vinho da UE”. Isto é, vinho espanhol de baixa categoria. Os engarrafadores não fazem trafulhice. Está lá bem expressa menção vinho da UE. As pessoas são enganadas porque querem .

Mas não há vinho em Pias? Claro que sim. Há um excelente produtor, Vinhos Margaça – Sociedade Agrícola de Pias. O único que produz genuíno vinho de Pias, a terra alentejana!

A Sociedade Agrícola de Pias foi fundada, em 1973, por José Veiga Margaça, um empreendedor de Torres Vedras que encontrou nesta pequena freguesia o potencial para se instalar e produzir vinhos originais e de grande qualidade. A sua paixão pela terra e o profundo conhecimento e respeito pelo Alentejo, permitiram-lhe desbravar, durante décadas, novas formas de produção e criar vinhos que honrassem o terroir único de Pias. Nas suas herdades, estendidas entre Serpa e Moura, no extremo oriental do Alentejo, num total de 800 hectares, iniciou um intensivo processo de restruturação das vinhas, organizando-as em parcelas e por castas, renovou a adega oferecendo-lhe o melhor da tecnologia e rodeou-se de gentes da terra, a quem gerou emprego e riqueza.
Durante décadas reforçou o seu portefólio, ganhou prémios e criou toda a logística de distribuição, transformando a Sociedade Agrícola de Pias, hoje conhecida como Vinhos Margaça, numa empresa autónoma e vários dos seus vinhos em referências do mercado português. Actualmente é o maior produtor de Pias, em termos de área e de produção de vinho.
O legado de José Veiga Margaça continua hoje nas mãos da família.

Durante anos, como acontecia com a maior parte dos produtores o vinho era vendido a granel e foi um acaso que levou a empresa a engarrafar o seu primeiro vinho, o Encostas do Enxoé, que surgiu em 1988: um tonel de uma vindima de dois anos antes não pareceu estar nas melhores condições e foi deixado para trás. Provado mais tarde o vinho tinha evoluído, estava excelente assim nasceu o primeiro vinho engarrafado da empresa.

Com uma história longa e atribulada, que inclui a ocupação de terras na sequência do Prec, em 1975, a Família Margaça assistiu impotente ao aparecimento dos tais vinhos com Pias no nome e que de Pias não têm nada…

Actualmente a família Margaça detém um conjunto de propriedades que somam 700 hectares, dos quais 138 são dedicados exclusivamente à plantação de vinha, 70 a amendoal e 160 a olival.

A viticultura dos vinhos Margaça está entregue a João Torres e Renato Neves (também enólogo) que, além da preocupação com a vinha que ocupa 138 hectares da mancha de 700 hectares detidos pela família Margaça, procuram estimular os ecossistemas envolventes, vegetais e animais, com a missão de promover e preservar a rica biodiversidade da propriedade e diminuir acentuadamente o uso de pesticidas. Em termos práticos, são seguidas e implementadas as orientações do Plano de Sustentabilidade do Alentejo da CVRA que incluem, entre outras, a integração e harmonização dos recursos naturais existentes, da energia solar, de condições climatéricas apropriadas, água limpa e de boa qualidade, e de solos saudáveis; a adopção de boas práticas na adega e optimização dos processos; a protecção da fauna e flora e, por conseguinte, da própria riqueza natural do Alentejo.

Luís Margaça, 34 anos é o atual gestor da Sociedade Agrícola de Pias. Licenciado em Gestão de Empresas pelo ISCTE, aproveitou o último ano do curso (2008) para participar num Programa Intercâmbio com a China, no âmbito de um protocolo assinado com a Universidade de Sun-Yat Sem, província de Guangzhou, Guangdong. Após concluir os estudos, início o seu trabalho na empresa do seu avô José Veiga Margaça, onde desempenhou inicialmente funções administrativas de escritório. Em 2009 fez um ano de trabalho de Adega, como ajudante de adegueiro, realizando todas as tarefas necessárias. No ano seguinte, desafiado por Fernanda Margaça, sua mãe, iniciou todo o processo de contactos de exportação e dossier processual de trâmites necessários para a realização de vendas internacionais para Europa, Ásia e Brasil.
Em 2011 passou igualmente a lidar com todos os trâmites necessários ao bom funcionamento da empresa, juntamente com Aida Pires, directora comercial e administrativa, “braço direito” de Fernanda Margaça, que havia iniciado funções na empresa em 2008.
Actualmente lidera uma equipa multidisciplinar, responsável por um intensivo projecto de reorganização da empresa e de reposicionamento no mercado. Em destaque estão Bruno Sousa, que assume a pasta da gestão financeira, e Renato Neves, que detém a tutela da viticultura e enologia.

Este ano assistiu-se rebranding e reposicionamento da marca PIAS, e ao lançamento da nova gama Família Margaça, direccionada para o segmento premium, ambos os projectos assinados pelo Atelier Rita Rivotti.


Brut Experience dá 11 medalhas à Bairrada

A Região da Bairrada foi a grande vencedora do 3º Concurso Internacional de Espumantes Brut Experience, que decorreu em junho no Hotel Holiday Inn Continental Lisboa, com a presença de 112 amostra de espumantes brutos de origem portuguesa, francesa, belga e moldava.

A Bairrada conquistou 11 medalhas, três das quais de ouro e oito de prata. Seguiu-se a Região de Lisboa, com cinco medalhas, o Tejo, Távora Varosa e os Vinhos Verdes, com três, a Moldávia e o Alentejo, com duas cada. A Madeira, o Dão e a Denominação de Origem francesa Crémant da Alsácia fecharam a lista de medalhas, com uma prata cada. 

São apenas atribuídas medalhas a 30% dos vinhos em competição, numa prova onde estiveram presentes espumantes oriundos das regiões portuguesas dos Vinhos Verdes, Douro, Dão, Bairrada, Távora Varosa, Tejo, Lisboa, Península de Setúbal, Alentejo, Açores e Madeira, e França, Bélgica e Moldávia.

O júri, de 24 membros, constituído por docentes universitários, jornalistas, bloggers, enólogos, escanções e comerciantes de vinhos portugueses e de outros países europeus, selecionou 32 espumantes, que foram galardoados com medalhas de ouro e prata (ver lista de premiados em anexo). Este ano não foram atribuídas medalhas de Prestígio, alcançáveis para espumantes com 95 pontos ou mais em 100 na competição. O Concurso Internacional Brut Experience 2020 decorreu no Holliday Inn Lisboa-Continental, em Lisboa, e classificou espumantes Brutos e Brutos Naturais, portugueses e do mundo, em prova cega, nas diversas categorias – Jovem, Reserva, Super Reserva, Grande Reserva e Grande Reserva Extra.

Organizado pela Enóphilo, marca com histórico na organização de eventos vínicos de nicho, como o Enóphilo Wine Fest, em Lisboa, Porto e Coimbra, Brut Experience é uma experiência feita de vários momentos, um conceito que integra um Evento de Espumante, que não irá decorrer este ano devido à pandemia causada pela Covid-19, com um Concurso Internacional de Espumantes.

Os criadores e responsáveis pela sua organização são José Miguel Dentinho, Engº de formação, jornalista de profissão e provador em vários concursos nacionais e internacionais, e Luis Gradíssimo, Engº de formação, enófilo e empreendedor, formador e organizador de eventos vínicos. Segundo a organização, “o Brut Experience pretende distinguir e dar a conhecer, aos consumidores, os melhores espumantes nacionais e internacionais, estimular a produção de espumantes de qualidade e contribuir para a expansão da cultura do espumante”.

Nas fotos os nove medalhados com ouro:

Quinta do Rol espumante rosé 2010 Grande Reserva Portugal
Ravasqueira espumante 2013 Grande Reserva Portugal
Encontro espumante 2015 Bruto Reserva Portugal
Quinta da Romeira espumante 2015 Bruto Portugal
Quinta da Lapa espumante 2012 Grande Reserva Brut Nature Portugal
Marquês de Marialva espumante 2014 Cuvée Primitivo Brut Nature Portugal
Cricova espumante 2016 Cuvée Prestige Moldávia
Montanha espumante 2009 Grande Cuvée Cá da Bairrada Portugal
Tuisca espumante 2016 Reserva Portugal

Com medalha de prata foram premiados os seguintes espumantes:

Familia Hehn espumante 2013 Colheita Portugal
Quinta do Rol espumante 2010 Grande Reserva Blanc de Blanc Portugal
Berbereta espumante 2016 Portugal
Encontro espumante rosé NV Bruto Portugal
Declynio espumante rosé 2017 Bruto Portugal
Montanha espumante 2016 Baga Portugal
Cricova espumante rosé 2017 Pinot Meunier Moldávia
Terras do Avô espumante 2015 SoCa 50 Portugal
QM espumante 2016 Velha Reserva Alvarinho Portugal
Maria João espumante 2013 Portugal
Quinta do Gradil espumante 2017 Brut Nature Reserva Portugal
Terras do Demo espumante 2017 Verdelho Portugal
Montanha espumante NV Reserva Branco Portugal
Charles de Fère espumante NV Grand Mérite França
Kompassus espumante rosé 2015 Portugal
Legado do Areias espumante 2018 Baga Portugal
Marquês de Marialva espumante 2014 Baga Cuvée Bruto Portugal
Nana espumante 2016 Bruto Natural Portugal
Montanha espumante 2015 Chardonnay & Arinto Portugal
Terras do Demo espumante rosé 2018 Touriga Nacional Portugal
QM espumante 2017 Super Reserva Alvarinho Portugal Prata
Quinta Brejinho da Costa espumante 2017 Bruto Portugal Prata


Quintas de Melgaço com duas novidades

A empresa Quintas de Melgaço é uma sociedade anónima que conta com mais de 500 acionistas, dos quais 430 são produtores. Há pouco tempo lançaram, no mercado dois dos seus vinhos da colheita de 2019: o QM Alvarinho e o QM Rosé.

O primeiro é um clássico monocasta de Alvarinho. Apresenta um aroma frutado, notas exóticas e ligeiro floral. É encorpado na boca e tem um final prolongado. Acompanha muito bem peixes, mariscos, carnes brancas, aves, queijos de pasta mole ou ainda boa charcutaria regional. Está pronto a ser bebido já, mas vai ainda viver (e no nosso entender melhorar) uns cinco ou seis anos.

O QM Rosé é feito com uvas Alvarinho e Sousão (é assim que figura na ficha técnica), tem uma cor ligeira (um pouco mais carregada do que o blush provençal), aromas de frutos vermelhos, notas de menta e raspa de limão. Muito fresco e persistente acompanha bem saladas,

aperitivos, massas e arrozes de peixes e marisco ou queijo amanteigado. Há quem possa achar um sacrilégio, mas pessoalmente gosto de o acompanhar com sardinhas assadas. A enologia de ambos os vinhos é da responsabilidade de Élio Barreiros. Os preços de referência em garrafeira indicados pelo produtor são de 10 euros para qualquer deles.


Herdade das Servas Sangiovese Rosé

Uma novidade na família dos rosés portugueses é o Sangiovese 2019, oriundo da alentejana Herdade das Servas da família Serrano Mira (também proprietária da centenária Casa da Tapada, na Região dos Vinhos Verdes).

Este rosé é um vinho fresco, contidamente frutado e seco, com um final de boca elegante e persistente, pensado para a mesa e com capacidade de evolução em garrafa. Para beber agora ou guardar para mais tarde sentir novas emoções. Um rosé que brilha na sua cor salmão claro e que evidencia notas florais e aromas de framboesa e groselha. O Sangiovese Rosé 2019 está à venda em algumas garrafeiras a 10,50€ e acompanha muito bem saladas, massas, sushi e carnes brancas.

Até agora o outro Rosé português da casta Sangiovese era o Blush, um vinho do Algarve com o p.v.p de 11,50 €


História do Vinho Verde

Esta é a história de um vinho que já foi trocado por bacalhau, que depois se tornou acre e muito azedo (de sabor e de feitio) e que depois ressuscitou, qual Fénix, para se tornar, nos nossos dias, num dos grandes vinhos do Mundo. À vossa saúde com um copo de Vinho Verde!

Já todos viram nas cartas de vinhos de alguns restaurantes a divisão dos vinhos em Brancos, Tintos e Verdes. Actualmente é um perfeito disparate e em nenhum documento ou publicação oficial ou minimamente informado se vê já essa arrumação… a não ser na ASAE news nº 104, uma publicação daquela polícia criminal dada à estampa em Dezembro de 2016 onde se pode ler “Em Portugal existe um tipo de vinho específico, o vinho verde, que pode ser tinto ou branco, mas devido à sua acentuada acidez pode ser considerado como uma categoria à parte”. Pode ler o original aqui: https://www.asae.gov.pt/newsletter2/asaenews-n-104-dezembro-2016/o-vinho.aspx.

É uma desinformação sem pés nem cabeça e mais ridículo do que isto só o que muito recentemente vimos na carta de vinhos do restaurante de um hotel lisboeta (que já foi de referência) e onde, com destaque, se podia ler “Green Wine”, a par com os tradicionais Red Wine e White Wine.

Com a extraordinária melhoria operada quer na vinha, quer na adega, a partir da última década do século passado, logicamente também todo o vinho português melhorou imenso de qualidade e, especificamente o vinho verde. Facto a que não é alheio o excelente trabalho desenvolvido pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes na pessoa do seu presidente Manuel Pinheiro.

Recorde-se que a única razão para que actualmente se chame Vinho Verde é porque ele é produzido na Região Demarcada dos Vinhos Verdes, das mais antigas de Portugal, demarcada e legislada em 1908 juntamente com o Dão, logo a seguir à do Douro (1756).

Nem sempre o vinho verde foi uma bebida de excelência. Os livros estão cheios de exemplos dados por pessoas absolutamente insuspeitas. Mas, valha em abono da verdade, há 400 anos o vinho deveria ser agradável porque os ingleses e outros povos do Norte o trocavam por bacalhau num porto de uma cidade que então se chamava Viana do Foz do Lima e hoje Viana do Castelo.

Nessa época é possível que uma boa parte das uvas fosse proveniente de vinhas, mas com o aumento da população e a divisão da propriedade foi necessário recorrer cada vez mais à técnica da condução em uveira ou enforcado, com as videiras a treparem por árvores plantadas nas extremas dos campos deixando a parte interna para o cultivo de outros bens necessários à alimentação das pessoas.

Há um site que vale a pena ler: Vinha e vinhedos – Alto Minho medieval, da autoria do Doutor António Matos Reis para se ficar a perceber melhor como era o mundo rural desta região há mais de 500 anos.

Duarte Nunes de Leão escreve no seu livro “Descrição do Reino de Portugal”, dado à estampa no ano de 1610, em relação ao vinho que depois se chamará de Verde (actualizámos a grafia): “No Minho se colhe muito centeio e milho e (uma) infinidade de todas as frutas, carnes e

pescados, os melhores e mais saborosos de Espanha, muito vinho do que chamam enforcado de que a gente plebeia se sustenta, que para os nobres se fazem os vinhos riquíssimos de Ribadavia (não a nossa actual Riba de Ave, vila do concelho de Vila Nova de Famalicão, sim a terra galega famosa pelos seus vinhos Albariño, n.a.) e de outros de Galiza sua vizinha e de Monção, onde há muita provisão (onde se produz muito).

É bastante curiosa, já nessa altura, a referência a vinhos para a “gente plebeia”, que seriam os vinhos de enforcado e os vinhos para os nobres, os Alvarinho de Monção, pois claro.

António Barros Cardoso, professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, citando um decreto de 1715 no reinado de D. João V mostra que a nível de impostos também havia uma clara distinção entre os vinhos maus (da vinha de enforcado) e os bons: “Que os vinhos verdes que se produzem na Província do Minho… por serem de menos reputação…” pagavam apenas 3 réis por canada. Refere-se ao mesmo tempo que eram vinhos “que chamaõ de enforcado, & se daõ em arvores, sem cultura” para os distinguir dos restantes vinhos, chamados “de cepa” (vinha baixa) que pagavam 5 réis do mesmo imposto, no caso o “usual”, um imposto extraordinário sobre carne e vinho.

Em 1867, nos tempos do senhor rei D. Luís veio à luz o primeiro relatório assente em bases científicas sobre as vinhas e o vinho em Portugal, mandado elaborar no ano anterior, por decreto do seu ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria João de Andrade Corvo.

O vinho era um produto muitíssimo importante na economia portuguesa, o oídio já tinha aparecido e já tinha feito os seus estragos e era, também, necessário avaliá-los.

Foram encarregues da missão três professores universitários doutorados em Química, visconde de Villa Maior (Júlio Máximo de Oliveira Pimentel) que devia visitar os distritos ao norte do Douro, António Augusto de Aguiar encarregue dos distritos compreendidos entre o Douro e o Tejo, com excepção do distrito de Lisboa e João Ignacio Ferreira Lapa, o distrito de Lisboa e os distritos ao sul do Tejo.

Interessa-nos, neste caso, algumas apreciações feitas pelo visconde de Villa Maior após a suas deambulações por alguns vinhateiros do Minho.

Ele aponta a razão para que a má qualidade das uvas resulte numa má qualidade do vinho, nomeadamente a condução das videiras em enforcado, trepando pelas árvores em volta dos campos onde se semeavam cereais e legumes, terrenos com muita rega e tratados com adubos muito azotados. As uveiras carregavam-se de cachos mas, e citamos, “a abundancía dos succos nutritivos, o excesso de humidade, a

sombra das arvores a que estão associadas, a altura a que dão o fructo,

a influencia do clima geralmente humido e brumoso, pondo de parte ainda a inferioridade das castas adoptadas, tudo faz com que escasseie o assucar nos fructos e com que a maturação destes não chegue nunca a ser completa, resultando dahi necessariamente para o vinho o caracter essencial de verdura, aspereza e pouca espirituosídade que distingue os vinhos do Minho”.

E Villa Maior aponta ainda outra razão para que os cachos não amadureçam completamente: “Por toda a parte ouvimos lastimarem-se os proprietários e lavradores dos contínuos roubos feitos nos seus frutos, e este mal é de tal ordem que a maior parte dos colheiteiros fazem as vindimas estando ainda muito verdes as uvas, com receio do grande roubo a que estão sujeitas, principalmente na proximidade das grandes povoações, onde o fruto encontra fácil venda”. Mas também aponta a falta de cuidado, a falta de limpeza no manuseamento das uvas e as condições absolutamente desastrosas de algumas adegas para o resultado final péssimo.

Teriam de passar quase 150 anos para que o Vinho Verde se tornasse num néctar de eleição, para que, por exemplo, em Portugal, as uvas da casta Alvarinho de Monção e Melgaço se tornassem nas mais bem pagas aos produtores.

Tenho bem presente na memória, na década de 1970, quando ia com o meu sogro visitar alguns clientes lavradores em aldeias na zona de Ponte do Lima, a sensação que me causava a malga de vinho verde que me ofereciam e que eu bebia com sacrifício para não lhes desagradar. Era quase a mesma sensação descrita um século antes por António Augusto de Aguiar numa das suas bem humoradas conferências sobre vinhos realizada durante o ano de 1875 no Teatro da Trindade, em Lisboa. Na que versou o Vinho Verde disse galhofeiro: “Afirmam no Porto, que não se pode beber esta peste (vinho verde tinto) senão de olho fechado, pondo a boca à banda e alçando a perna direita, como quem ao bebê-lo espere o efeito de uma pedrada”.

Também Jaime Batalha Reis, agrónomo, diplomata, geógrafo e publicista, pertencente famosa Geração de 70, terá referido no início dos anos de 1920: “Quando se bebem tais vinhos, dizia um lisboeta, referindo-se aos verdes do Minho, é prudente que alguém nos torça uma orelha, para que a dor que ali se produz nos faça esquecer o acerbo do vinho”, conforme nos conta Bernardino Camilo Cincinato da Costa (1866-1930), um dos maiores estudiosos do vinho português.

A verdade é que, nos cem anos que se seguiram as práticas aconselhadas por alguns estudiosos atrás referidos e ainda por outros, como José Cerqueira Machado ou, mais recentemente, pelo engenheiro agrónomo Amândio Barbedo Galhano (1908 -1991) permitiram que o Vinho Verde se transformasse completamente.

Enólogos como Anselmo Mendes, Luís Cerdeira, empresas como a Soalheiro, a Aveleda e a Sogrape, Adegas Cooperativas como as de Monção e tantos outros conseguiram que o Vinho Verde se tornasse numa fabulosa bebida que de verde só tem o nome da região onde é produzido.