Real Companhia Velha engarrafa mais seis castas raras na linha Séries

A Real Companhia Velha (RCV) é das empresas portuguesas que mais tem trabalhado em prol da preservação de castas nacionais antigas, algumas praticamente já votadas ao esquecimento e que se encontram nas suas vinhas velhas das várias quintas que a companhia tem no Douro. É na sua linha experimental Séries que depois as lança no mercado.

Recentemente surgiram mais seis monocastas (Donzelinho Branco e Gouveio, vinhos brancos ambos de 2016, e quatro tintos, Tinto Cão 2015, Malvasia Preta 2015, Cornifesto 2015 e Bastardo 2014)

com essa filosofia que, mais tarde, mercê da evolução do vinho, do aumento da quantidade produzida e da aceitação no mercado poderão passar a fazer parte das gamas mais comerciais.

Muito por grande mérito do enólogo Jorge Moreira, director de enologia da RCV, dos viticólogos Rui Soares, Álvaro Martinho Lopes e Sérgio Soares (agrónomos que trabalham a vinha) com o apoio, obviamente, da família Silva Reis, é possível voltarmos a beber belos vinhos de castas que os nossos ancestrais bem conheciam, que podem ser uma grande mais valia para a agricultura e economia portuguesas, porque podem marcar pontos pela diferença, pela novidade.

Segundo Jorge Moreira, a linha Séries procura apresentar vinhos excepcionais, quase sempre a partir de velhas castas do Douro. Esses vinhos que serão sempre ensaios (daí o nome), onde a equipa de enologia procura explorar diferentes técnicas, castas ou abordagens que ensinem algo passível de vir a ser aplicado na gama comercial, como atrás referimos.

Generalizando um pouco, de acordo com o clima de cada ano, 2014 deu origem a vinhos frescos e jovens, enquanto 2015 determinou tintos potentes e concentrados e de imensa complexidade. Quanto a 2016 foi um ano que proporcionou vinhos elegantes, aromáticos e muito frescos.

Para provar e poder perceber o resultado destes Séries, a RCV reuniu, na Enoteca de Belém, no final do passado mês de Janeiro, um grupo de jornalistas e críticos do sector. Aqui ficam as notas de prova destes Real Companhia Velha Séries.

 

 

Donzelinho Branco 2016 branco DOC Douro

 

Segundo as palavras de Jorge Moreira, “o Donzelinho Branco é uma das castas mais exóticas e invulgares que está plantada no planalto de Alijó. Aqui beneficia do clima fresco e de terrenos mais férteis, dois factores que determinam um perfil de um Douro muito diferente do habitual, tornando-se um grande desafio à nossa equipa de enologia”.

A fermentação decorreu em cubas de inox com controle de temperatura, ficando em estágio durante 6 meses.

O resultado deste Real Companhia Velha Séries Donzelinho branco 2016 é um vinho rico quer em aroma, quer em frescura e cremosidade na boca. Tem notas florais de alecrim, hortelã, e um suave toque de raspa de lima. O final é muito agradável, com classe, deixando notas cítricas e de perfume floral. Acompanha bem pratos da cozinha asiática ou preparações de peixe que tenham alguma acidez, como tártaro de salmão ou um escabeche suave de sardinhas ou carapaus.

Tem 12,5% de álcool, foram feitas 1556 garrafas e o PVP é de 17€

 

 

 

Apesar da casta Gouveio ser uma das mais conhecidas no Douro, muito raramente é engarrafada como monocasta. O Companhia Velha Séries Gouveio branco 2016 DOC Douro é feito de uvas provenientes da Quinta das Carvalhas, vindimadas muito cedo para evitar grandes concentrações fenólicas e muito álcool, de modo a que fique um vinho mais delicado. Foi vinificado em inox, mas 50% foi estagiado em barricas novas de carvalho francês durante seis meses. Tem fruta banca, notas florais e um toque de baunilha no aroma e na boca apresenta boa frescura com a madeira completamente integrada. Acompanha bem peixes grelhados, carne de porco no espeto ou queijo da Serra.

Tem 12% de álcool, foram feitas 2340 garrafas e um PVP de17€.

 

A casta Tinto Cão está no Douro há muitos anos, é uma das mais apreciadas pela nova geração de agricultores e para este Real Companhia Velha Séries Tinto Cão tinto 2015 foi escolhida uma vinificação tradicional em lagares de pedra com pisa a pé, seguindo-se um estágio em barricas de carvalho francês (15% em madeira nova) durante 18 meses. É um tinto de grande complexidade aromática. Na boca é muito agradável para quem gosta de vinhos com alguma rusticidade, embora os taninos bem presentes não sejam agressivos. Pratos de forno (borrego, cabrito) ou caça são uma boa companhia para este Tinto Cão.

Tem 14% de álcool, foram feitas 1466 garrafas e custa 17€

 

 

Segundo Jorge Moreira, este Malvasia Preta é, provavelmente o primeiro engarrafamento a solo feito desta casta, uma das mais antigas na região.

A fermentação do Real Companhia Velha Séries Malvasia Preta 2015 decorreu em pequenas cubas de inox com controle de temperatura, estagiando, depois, em barricas usadas de carvalho francês por 8 meses. Tem uma cor aberta e um aroma com notas de fruta preta e cítrica, com nuances apimentadas, num perfil aromático muito intenso e fresco. Na boca é macio, distinto, suave, leve e fresco. Final muito longo. Junte-o a peixes gordos, carnes de aves ou massas e verá que consegue um bom resultado.

Tem 13,5% de álcool, foram feitas 666 garrafas e custa 17€

 

Tal como a casta anterior, a Cornifesto é uma das mais antigas do Douro. Esteve quase desaparecida, restando apenas em algumas vinhas velhas, mas pelas suas características gastronómicas merece outro destaque. É também o primeiro engarrafamento a solo que se conhece, este Real Companhia Velha Séries Cornifesto tinto 2015. A fermentação foi feita em pequenas cubas de inox, seguindo-se um estágio de 12 meses em barricas usadas de carvalho francês. É aberto na cor, tem intensidade aromática. Na boca é fresco, e elegante. Jorge Moreira afirmou que a boa estrutura e a acidez deixa antever um bom potencial para futuras vinificações. Liga bem com polvo estufado, pratos de caça, cabrito assado e peixes gordos.

Tem 14,5% de álcool, foram feitas 1200 garrafas e custa 17€

 

 

 

A 4º vinho tinto apresentado foi da casta Bastardo, uma das mais conhecidas no Douro, com um nome curioso, já que não invoca, propriamente, algo de muito desejável.

O Real Companhia Velha Séries Bastardo tinto 2014 é um vinho de cor bastante aberta, fresco, elegante e muito frutado que, na adega, foi fermentado em cubas de inox, seguindo-se um estágio de 12 meses em barricas usadas de carvalho francês. Tem aromas frutados com notas de groselha e frutos silvestres, complexidade e carácter. Na boca revela-se de uma maneira muito interessante: de início é muito suave, delicado, mas percorre toda a boca e no final mostra taninos com boa garra, o que o tornam um bom companheiro para guisados bem temperados ou lebre, javali ou veado, cozinhados com redução de vinho.

Tem 14% de álcool, foram feitas 1573 garrafas e custa 17€.

 

Recorde-se que a Real Companhia Velha é a mais antiga empresa de vinhos portuguesa, com mais de 260 anos de existência e de actividade ininterrupta ao serviço do vinho do Porto. Tem 540 hectares de vinha, distribuídos pelas emblemáticas quintas das Carvalhas, Aciprestes, Casal da Granja, Síbio e Cidrô. Para a exportação são destinados 65% da produção total da RCV.

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